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Por onde começar a ler e a trabalhar as literaturas africanas em sala de aula?

  • Do romance à poesia: títulos de autores africanos publicados no Brasil para trabalhar em sala de aula.
Primeira imagem do slide

Durante a graduação, quando estava no nono período do curso de Letras – Português, na Universidade Federal de Ouro Preto, a minha amada UFOP, realizei o “MIF215 – História e Cultura Africanas nos Anos Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio”, mediado pelo Professor Dr. Bernardo Nascimento de Amorim, até então meu orientador, e pela Professora Ana Monica Henriques Lopes, do Departamento de História. O Módulo Interdisciplinar de Formação (MIF) é um componente curricular obrigatório destinado aos cursos de licenciatura da UFOP. Ao longo da graduação, é preciso que os estudantes realizem três MIFs.

De acordo com a Prograd, “O Módulo Interdisciplinar de Formação tem como objetivo desenvolver práticas pedagógicas interdisciplinares, envolvendo professores e alunos de todos os cursos de licenciaturas da UFOP.” (Prograd, não paginado).  

No MIF em questão, os professores propuseram uma atividade na qual a proposta consistia em produzir um material que nós, enquanto futuros professores da Educação Básica, pudéssemos utilizar na sala de aula e/ou que ajudasse outros professores no desenvolvimento de práticas pedagógicas. Como passei grande parte, senão toda, da graduação tendo contato com as Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, resolvi reunir alguns títulos que conhecia e criar um arquivo para que quem tivesse acesso, pudesse escolher os melhores títulos para trabalhar em sala.

A ideia inicial consistiu em produzir no Canva um material que pudesse orientar os professores na busca por literaturas africanas. Para aqueles que gostam de trabalhar com filmes em sala de aula, ao final do material, adicionei duas adaptações literárias.

Entendo que muitas dessas obras possam não estar nas bibliotecas das escolas, mas todos os livros desta seleção são publicados no Brasil. Dessa forma, o(a) professor(a) que desejar trabalhar com essas obras poderá encontrá-los.

O texto está dividido em algumas seções: esta introdução; os motivos pelos quais se deve trabalhar as literaturas africanas em sala de aula; duas habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC); as Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e, respectivamente, a literatura angolana, a literatura cabo-verdiana, a literatura guineense, a literatura moçambicana e a literatura são-tomense. Por fim, como dito acima, adicionei um material bônus de obras que ganharam adaptações, possibilitando, assim, um diálogo entre a literatura e a cinematografia.

Embora as sinopses e as capas estejam ao longo do texto, deixo o link de acesso pelo Canva. Link: https://canva.link/mdacdvbyaqg8v9n

Por que ler e trabalhar as literaturas africanas de Língua Portuguesa?

  • Cumprimento da Lei 10.639/2003 – Obrigatoriedade do ensino da cultura africana e afro-brasileira em todas as instituições de ensino fundamental e médio – públicas e privadas;
  • valorização das literaturas africanas;
  • inserção efetiva da literatura no currículo;
  • produções em Língua Portuguesa;
  • pluralização do cânone literário.

Habilidades da BNCC que falam sobre as literaturas africanas

Por se tratar de um material voltado para os professores, separei as habilidades da BNCC que mencionam, ainda que indiretamente, o ensino de literatura tanto no Ensino Fundamental – Anos Finais quanto no Ensino Médio.

“(EF67LP28) Ler, de forma autônoma, e compreender – selecionando procedimentos e estratégias de leitura adequados a diferentes objetivos e levando em conta características dos gêneros e suportes –, romances infantojuvenis, contos populares, contos de terror, lendas brasileiras, indígenas e africanas […]” (BNCC, p. 169)

“(EM13LP52) Analisar obras significativas das literaturas brasileiras e de outros países e povos, em especial a portuguesa, a indígena, a africana e a latino-americana, com base em ferramentas da crítica literária (estrutura da composição, estilo, aspectos discursivos) ou outros critérios relacionados a diferentes matrizes culturais, considerando o contexto de produção (visões de mundo, diálogos com outros textos, inserções em movimentos estéticos e culturais etc.) e o modo como dialogam com o presente.” (BNCC, p. 527)

Literaturas Africanas de Língua Portuguesa

Abaixo, uma seleção de livros de autores dos países africanos de língua portuguesa publicados no Brasil. Numa tentativa de tornar o material mais sucinto, em algumas obras eu mesmo fiz o comentário, enquanto em outras, peguei as sinopses disponíveis nos sites das próprias editoras. A lista conta com livros de poesia, contos, crônicas, romances e obras infantojuvenis.

Literatura angolana

Bom dia, camaradas

  • Livro: Bom dia, camaradas
  • Autor: Ondjaki
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 136
  • Data da publicação: ‎2014
  • Romance

Sinopse: “Do premiado autor angolano, Bom dia, camaradas resgata de forma lírica a infância de um garoto de classe média num país dividido entre a tradição e o novo.

Uma Luanda dos anos 1980 com professores cubanos, escolas entoando hinos matinais e jovens de classe média é o cenário de Bom dia, camaradas. Do universo do romance também fazem parte as lembranças dos cartões de abastecimento, as desigualdades sociais e os conflitos entre modernidade e tradição.

Através do olhar lírico de um garoto, o leitor é levado a uma Angola que acabou de se tornar independente e é obrigada a repensar as regras sociais e a questionar as causas da desigualdade.

Ondjaki nos conduz aos pequenos acontecimentos do cotidiano que mostram como é preciso mais que um decreto para que as mudanças de fato aconteçam.

Assim como em outros livros de Ondjaki, o mundo dos jovens e a descoberta da vida adulta e seus conflitos são retratados sem o tom irritadiço das militâncias nem a condescendência do lirismo excessivo. E Bom dia, camaradas é daqueles romances que atravessa as idades e pode ser lido tanto pelo jovem quanto pelo leitor maduro.

A literatura de Ondjaki é especialmente atraente para o público brasileiro, que verá a língua portuguesa ganhar outros contornos e reconhecerá no escritor angolano muito da nossa melhor tradição literária.” (Companhia das Letras)

Os da minha rua

  • Livro: Os da minha rua
  • Autor: Ondjaki
  • Editora: Pallas
  • Páginas: 128
  • Data da publicação: ‎ 2021
  • Contos

Sinopse: “O livro é uma coletânea de 22 contos que resgatam a infância do autor, vivida entre as década de 1970 e 1990, em Luanda, capital de Angola. Amigos, parentes, lugares e até mesmo cheiros aparecem nos pequenos textos, que podem ser lidos em separado ou como capítulos de um romance. É uma obra que exalta essa época da inocência e dos pequenos grandes descobrimentos de uma criança. Todos os contos são escritos em primeira pessoa e alguns revelam a influência da cultura brasileira no Sul da África oitentista, com citações ao cantor Roberto Carlos, ao escritor Gracilianos Ramos e às novelas “O Bem Amado” e “Roque Santeiro”. (Pallas)

Um rio preso nas mãos

  • Livro: Um rio preso nas mãos
  • Autora: Ana Paula Tavares
  • Editora: Kapulana
  • Páginas: 108
  • Data da publicação: ‎ 2019
  • Crônicas

Sinopse: “As crônicas da angolana Ana Paula Tavares, marcadas por uma escrita profundamente poética e incisiva, foram originalmente publicadas de forma esparsa no jornal online Rede Angola.

São agora, pela primeira vez, reunidas em livro e publicadas em forma de coletânea pela Editora Kapulana, com o título de Um rio preso nas mãos.

As 38 crônicas que compõem o livro viajam por diferentes assuntos e narrativas, deslizando entre a autobiografia e a escrita ficcional, a crítica sociopolítica e as mitologias africanas, a oralidade e a escrita, o passado e o presente – sobretudo do povo de Angola e de suas mulheres.

Essa primeira edição brasileira conta ainda com o prefácio da Profa. Dra. Carmen L. Tindó Secco: “Avisos à navegação”.” (Kapulana)

A cidade e a infância

  • Livro: A cidade e a infância
  • Autor: Luandino Vieira
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 136
  • Data da publicação: ‎ 2007
  • Contos

Sinopse: “Publicado originalmente em Lisboa em 1960, este livro marca a estréia de José Luandino Vieira, um dos mais respeitados e inventivos escritores africanos da atualidade, fortemente identificado com as lutas de libertação de Angola.

Os contos de A cidade e a infância anunciam algumas das características que se tornariam marcas da escrita de José Luandino Vieira: a paisagem urbana e o contexto de pobreza e marginalidade de Luanda; a oralidade pronunciada da narrativa; o convívio e a tensão entre negros, brancos e mulatos; a crítica da modernização excludente.

Engajado e radicalmente inovador, Luandino ajudou a consolidar a literatura angolana no período de luta contra a colonização portuguesa, criando uma dicção literária única (sua prosa madura é comparada à de Guimarães Rosa).

O livro traz dez narrativas breves, inspiradas na infância do próprio autor, vivida nos bairros pobres de Luanda, em companhia de meninos negros e mestiços. O volume inclui algumas das “estórias” (como o próprio Luandino as chama) mais conhecidas do autor: “Companheiros”; “O nascer do sol”; “A cidade e a infância” e “A fronteira de asfalto”. Este último conto narra a história de duas crianças, um menino negro e uma garota branca, que são proibidos de se encontrar. Apartados por iniciativa da família dela, eles também são separados pela “fronteira de asfalto” que divide os bairros ricos e os musseques de Luanda.

A cidade e a infância traz o texto “A libertação do espaço agredido através da linguagem”, prefácio de Manuel Ferreira à segunda edição portuguesa (1977) e o prefácio de Costa Andrade à primeira edição (1960).” (Companhia das Letras)

Literatura cabo-verdiana

Amanhã Amadrugada

  • Livro: Amanhã Amadrugada
  • Autora: Vera Duarte
  • Editora: Nandyala
  • Páginas: 88
  • Data da publicação: ‎ 2023
  • Poesia

Sinopse: “Com elevada qualidade estética e potente posicionamento discursivo, a renomada escritora Vera Duarte convida leitoras e leitores ao universo multifacetado de Cabo Verde. Sua poesia entrelaça mulheres, sonhos, lutas e conquistas cabo-verdianas em plena e ampla liberdade de ser. História, cultura e política dialogam com naturalidade na escrita literária de Vera Duarte, em que a poesia integra África, Diáspora Negra e todo o mundo…” (Nandyala)

Blimundo

  • Livro: BLIMUNDO
  • Autora: Vera Duarte
  • Editora: Nandyala
  • Páginas: 36
  • Data da publicação: ‎ 2024
  • Conto

Sinopse: “Narrativa fundadora da nação cabo-verdiana, “BLIMUNDO – o boi que mexeu com o universo” corresponde ao reconto de uma história da tradição oral de Cabo Verde, relativamente à atuação do ativista, intelectual e engenheiro agrônomo Amílcar Cabral (1942-1973) frente às lutas de libertação nacional do jugo colonial português, em especial nos anos 1960-1970. Esta obra, ao mesmo tempo, apresenta o propósito celebrativo do centenário de nascimento de Cabral, natural da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.” (Nandyala)

A candidata

  • Livro: A candidata
  • Autora: Vera Duarte
  • Editora: Nandyala
  • Páginas: 92
  • Data da publicação: ‎ 2012
  • Romance

Sinopse: “De uma perspectiva feminina, Vera Duarte apresenta, em “A candidata”, um Cabo Verde multifacetado. O livro, de 2012, aborda temas como a construção da nação, a libertação da mãe-terra do domínio da metrópole, a superação de uma dupla colonização (patriarcal e colonial), assim como a emigração. A obra acompanha a jornada de Marina, que se move na luta clandestina entre as águas de Cabo Verde” (Nandyala).

Mornas eram as noites

  • Livro: Mornas eram as noites
  • Autora: Dina Salustio
  • Editora: Nandyala
  • Páginas: 96
  • Data da publicação: ‎ 2019
  • Contos

Trecho do posfácio da Professora Simone Caputo Gomes (USP): “Construída à semelhança da estrutura da morna primordial caboverdiana (melopeia cantada por mulheres, com solista e coro), a narrativa de Diná Salústio, brevíssima, expõe a tragicidade da vida de mitas mulheres em Cabo Verde, com a voz de Cesária Évora (“Ó mar, Ó mar!”) e a poesia popular de B. Léza (“Mar azul”) ao fundo. Nas noites mornas ou com mornas ao fundo de Dina Salústio, as protagonistas, sempre mulheres, são quase que pedagogicamente, diríamos, conduzidas por uma perspectiva feminista do discurso: interrogam-se, interrogam os homens, avaliam umas às outras, denunciam situações com as quais não querem mais pactuar.” (Gomes, 2019, p. 107)

Literatura guineense

A última tragédia

  • Livro: A última tragédia
  • Autor: Abdulai Sila
  • Editora: Pallas
  • Páginas: 192
  • Data da publicação: ‎ 2012
  • Romance

“Publicado em 2012 pela Editora Pallas, o livro A última tragédia é divido em três histórias que se interligam durante a narrativa. O romance apresenta questões sobre a colonização em Guiné-Bissau. Temos a história de Ndani, uma menina de 13 anos, portadora de uma maldição, a do Régulo e a de um professor – todos sofrendo com a colonização.” (Eu Sendo Leitor)

No fundo do canto

  • Livro: No fundo do canto
  • Autora: Odete Semedo
  • Editora: Nandyala
  • Páginas: 264
  • Data da publicação: ‎ 2018
  • Poesia

Sinopse: “Aqui a autora pôs em relevo a natureza mítica de suas origens, reinscreveu e reinventou símbolos e conteúdos apreendidos do imaginário social da coletividade a que pertence, acionando estratégias representacionais de dignidade e esperança para construir novos sentidos com os quais pudesse identificar-se e remapear experiências partilhadas.” (Nandyala)

A história que minha mãe não me contou: e outras histórias da Guiné-Bissau

  • Livro: A história que minha mãe não me contou: e outras histórias da Guiné-Bissau
  • Autor: Eliseu Banori
  • Editora: Nandyala
  • Páginas: 34
  • Data da publicação: ‎ 2020
  • Conto

Sinopse: “A história que minha mãe não me contou é o conto que nomeia a coletânea do escritor guineense Eliseu Banori, voltada para leitoras e leitores juvenis. Segundo Lia Vieira, escritora, pesquisadora e ativista política afro-brasileira, Eliseu Banori, mais uma vez, surpreende com a delicadeza e a sabedoria de sua rica narrativa, com representações ficcionais de um mundo em que é bom de se viver. Os olhares dos “pequenos” remetem às conversas ao redor da fogueira e aos ditados populares. “ (Nandyala)

Cantar do galo

  • Livro: Cantar do galo
  • Autor: Eliseu Banori
  • Editora: Revista África e Africanidades
  • Páginas: 124
  • Data da publicação: ‎ 2024
  • Contos

Sinopse: “Um mergulho literário na alma da Guiné-Bissau contemporânea. Nesta coletânea de contos, o escritor guineense Eliseu Banori tece um retrato crítico, inteligente e profundamente criativo de seu país. Através de personagens marcantes e alegorias sagazes, a obra desvenda o cotidiano de uma Guiné-Bissau pós-independência, onde as relações de poder e as complexidades políticas se entrelaçam com a busca incessante pela liberdade.

Entre dores e incertezas, Banori dá voz à incrível persistência das mulheres e à inquietude vibrante dos jovens. É um livro sobre “gestar e parir esperanças”, convidando o leitor a conhecer as novas possibilidades de um amanhã construído com coragem e resistência.” (Revista África e africanidades)

Literatura moçambicana

Sangue Negro

  • Livro: Sangue Negro
  • Autora: Noémia de Sousa
  • Editora: Kapulana
  • Páginas: 200
  • Data da publicação: ‎2016
  • Poesia

Sinopse: “Sangue negro, único livro de Noémia de Sousa, chamada “Mãe dos poetas moçambicanos”, é composto por 46 poemas, escritos entre 1948 e 1951, que representam a resistência da mulher africana e dos povos da África.

Em 2001, seus poemas foram reunidos no livro Sangue negro, publicado pela Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO) e, dez anos mais tarde, uma nova edição de Sangue negro foi publicada pela editora moçambicana Marimbique. Em 2016, a Editora Kapulana publicou a primeira edição brasileira de Sangue negro, com os poemas mais marcantes da literatura moçambicana.” (Kapulana)

Nós matamos o Cão Tinhoso

  • Livro: Nós matamos o Cão Tinhoso
  • Autora: Luís Bernardo Honwana
  • Editora: Kapulana
  • Páginas: 148
  • Data da publicação: ‎ 2017
  • Contos

Sinopse: “Nós matamos o Cão Tinhoso!, da série “Vozes da África”, de Luís Bernardo Honwana, é um clássico da literatura moçambicana, lançado em 1964. É composto por sete contos emocionantes que denunciam a realidade sufocante vivida pelos trabalhadores colonizados e suas famílias durante a opressão colonial portuguesa em Moçambique, sendo a maior parte das narrativas do ponto de vista das crianças. Esta edição também traz o conto “Rosita, até morrer”, nunca antes publicado em livro.

Em 2002, Nós matamos o Cão Tinhoso! foi classificado entre os “100 melhores livros africanos do século XX” (Creative Writing).” (Kapulana)

Balada de amor de ao vento

  • Livro: Balada de amor de ao vento
  • Autora: Paulina Chiziane
  • Editora: Companhia das Letras
  • Páginas: 176
  • Data da publicação: ‎ 2022
  • Romance

Sinopse: “Primeiro romance de Paulina Chiziane, este livro conta a história de amor de Sarnau e Mwando e traz a semente do que viria a ser o clássico Niketche. Leitura obrigatória do vestibular da Fuvest.

“Com a poligamia, com a monogamia ou mesmo solitária, a vida da mulher é sempre dura.”

Balada de amor ao vento é uma obra pioneira. Não apenas por ser a estreia de Paulina Chiziane na prosa longa e o primeiro romance publicado por uma mulher em Moçambique, mas também por trazer a semente do que a autora viria a construir em Niketche.

“Tudo começa no dia mais bonito do mundo”, quando Sarnau vê Mwando pela primeira vez. Ela se apaixona de corpo e alma, ele a abandona. Ela luta para sobreviver à solidão, ele retorna – antes de partir mais uma vez. Eles se envolvem em uma história de amor que tem a relva como cenário e o vento como melodia, mas uma herança conservadora entre os dois.
Em um relato poético e quase espiritual de Sarnau, acompanhamos os encontros e desencontros, as escolhas e as renúncias, o desamparo e o privilégio de uma sociedade onde certas tradições afetam diretamente a autonomia da mulher e sua sobrevivência.” (Companhia das Letras)

As andorinhas

  • Livro: As andorinhas
  • Autora: Paulina Chiziane
  • Editora: Nandyala
  • Páginas: 96
  • Data da publicação: ‎ 2013
  • Contos

“O livro As andorinhas, da autora moçambicana Paulina Chiziane, apresenta três contos cujas histórias se passam em Moçambique, em diferentes momentos. As narrativas falam sobre liberdade, poder, política e sociedade, destacando as personagens femininas e as suas lutas na sociedade.” (Eu Sendo Leitor)

Literatura são-tomense

Chá do Príncipe

  • Livro: Chá do Príncipe
  • Autora: Olinda Beja
  • Editora: Ímã Editorial
  • Páginas: 194
  • Data da publicação: ‎2021
  • Contos

Sinopse: “Olinda Beja nos toma pela palavra e nos leva a seu país-ilha, São Tomé e Príncipe, para construir, à guisa da tradição oral africana, um cenário humano e natural encantatório, exuberante em vidas, cores e aromas. Suas histórias são como uma espécie de esconjuro redentor da desgraça e das agruras, traumas do passado longínquo e os do mais próximo porque assim se abre caminho ao sorriso de esperança nos olhos da liberdade.” (Ímã Editorial)

A dolorosa raiz do Micondó

  • Livro: A dolorosa raiz do Micondó
  • Autora: Conceição Lima
  • Editora: Geração Editorial
  • Páginas: 80
  • Data da publicação: ‎ 2012
  • Poesia

Sinopse: “Nesta coletânea de 27 poemas da poetisa são-tomense Conceição Lima, o micondó, árvore considerada sagrada em diversas regiões da África, simboliza origem, casa, morada ancestral. A evocação de tais raízes é dolorosa devido a acontecimentos históricos, como a escravidão e a colonização, que imprimiram profundas feridas e rupturas na identidade nacional, e na própria poetisa, cujos antepassados foram trazidos à força para o arquipélago africano e mais tarde enviados para outras terras como escravos.”

Quando florirem salambás no tecto do pico

  • Livro: Quando florirem salambás no tecto do pico
  • Autora: Conceição Lima
  • Editora: Mazza
  • Páginas: 84
  • Data da publicação: ‎ 2021
  • Poesia

Sinopse: “Em “Quando florirem salambás no tecto do pico”, o que se encontra é um amor, figurado em toda a obra como um “tu”, cuja face não é exposta a um primeiro olhar e que, entretanto, desdobra-se, transforma-se em terra e em ilha, em mar e em rios e, talvez, em homens. Ademais, trata-se de uma obra de superação e de conquista da palavra independente, que dialoga com a poesia do mundo e com o locus de onde fala a voz poética.” (Mazza Edições)

O País de Akendenguê

  • Livro: O País de Akendenguê
  • Autora: Conceição Lima
  • Editora: Corsário-satã
  • Páginas: 80
  • Data da publicação: ‎ 2023
  • Poesia

“No prefácio à obra, o professor Helder Macedo, diz: O país de Conceição Lima é uma viagem entre a memória e o desejo, uma ilha da imaginação. Lembrei-me, ao ler os seus poemas, da ilha “angélica, pintada” que segue a rota dos navegantes n’Os Lusíadas como um corpo feminino nascido das ondas. […] O livro está organizado em sete secções ou (como vêm designados numericamente no masculino) cantos ou capítulos. É precedido, tal como cada uma das secções, por epígrafes que simultaneamente servem para guiar o leitor e para definir as coordenadas culturais da autora.” (Corsário-satã)

Literatura e cinema: adaptações literárias

Como mencionado no início do texto, a ideia inicial consistia apenas em reunir alguns títulos que eu já conhecia. No entanto, durante a produção do material, fiquei tão empolgado com a proposta que pensei em incluir um conteúdo bônus sobre a cinematografia. Durante a minha atuação no Projeto de Extensão Áfricas em Trânsito, tive contato com alguns filmes africanos, então, a partir dessa experiência, resolvi adicionar dois filmes que dialogassem diretamente com as Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.

A primeira adaptação é Sambizanga.

  • Diretora: Sarah Maldoror
  • Roteirista: Roteirista Mário de Andrade e Sarah Maldoror
  • Tempo de execução: 102 min
  • Gênero: Drama
  • Ano de produção: 1972
  • País de Produção: Angola
  • Companhia de produção: Isabelle Films

“O filme é uma adaptação do livro A Vida Verdadeira de Domingos Xavier, de Luandino Vieira. Ele se passa em Angola no ano de 1961. Domingos Xavier, um ativista revolucionário angolano, é preso pela polícia secreta portuguesa. Xavier é levado para a prisão de Sambizanga, onde acaba sendo submetido a um interrogatório e tortura para extrair os nomes dos seus contatos da independência. O filme é contado a partir do ponto de vista de Maria, a mulher de Xavier, que vai em busca do seu marido em cada prisão, sem entender exatamente o que aconteceu, já que Xavier foi torturado e espancado até a morte.” (CINAFRICA)

A vida verdadeira de Domingos Xavier

  • Livro: A vida verdadeira de Domingos Xavier
  • Autor: José Luandino Vieira
  • Editora: Kapulana
  • Páginas: 104
  • Data da publicação: ‎ 2024
  • Novela

Sinopse: “Em A vida verdadeira de Domingos Xavier, José Luandino Vieira nos mostra o absurdo da opressão de agentes do regime autoritário colonial português sobre um cidadão angolano, Domingos Xavier. A luta pela independência de Angola e a violência colonial são apresentadas de forma, ao mesmo tempo, crua e emocionante. A busca ingênua de Maria pelo marido Domingos Xavier contrasta com a brutalidade das forças do regime opressor que havia sequestrado e torturado Domingos Xavier. Maria, separada do marido, sofre como ele a dor da ansiedade, do desespero e da tortura psicológica a que é submetida. Dor esta que representa a dor de todo um povo que foi oprimido e brutalizado pelo poder do colonialismo.” (Kapulana)

A segunda indicação é Mataba bata

  • Diretora: Sol de Carvalho
  • Roteirista: Sol de Carvalho
  • Tempo de execução: 52 min
  • Gênero: Drama/Adaptacão Literária
  • Ano de produção: 2017
  • País de Produção: Moçambique

“Azarias é um jovem pastor, órfão, guardião de uma manada de bois, onde se destaca o boi Mabata Bata. Os bois serão a base do pagamento do “lobolo”, um dote tradicional que seu tio Raul deve pagar para o próprio casamento. O sonho de Azarias é ser uma criança normal, ir à escola, no que é apoiado pela avó. Um dia, quando Azarias está no pasto, Mabata Bata pisa em uma mina – fruto da guerra civil no País – e explode. O jovem teme as represálias do tio e foge para a floresta, levando consigo os bois restantes. A avó e o tio partem em sua busca, para resgatá-lo e convencê-lo a voltar.” (Memoriale Cinema Português)

A menina sem palavra

  • Livro: A menina sem palavra
  • Autor: Mia Couto
  • Editora: Boa Companhia
  • Páginas: 160
  • Data da publicação: ‎ 2013
  • Contos

Sinopse: “Os dezessete contos desta antologia foram escritos em fases distintas da carreira do escritor Mia Couto e compõem um panorama surpreendente do universo infantil em Moçambique. Acostumados a reconhecer nos povos africanos a violência e a miséria, o leitor encontrará nessa seleção uma delicadeza que não se vê nos relatos oficiais. As histórias selecionadas mostram a complexidade que move as relações familiares, a orfandade em um país que viveu por anos em guerra, a realidade das crianças submetidas ao trabalho infantil e os resquícios da luta pela independência.” (Boa Companhia)

Considerações finais

Numa tentativa de me justificar por cada obra escolhida, ressalto que sou um mero leitor das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e só recentemente finalizei a graduação. Não tenho experiência em sala de aula, além dos estágios que realizei, e, por isso, o material foi pensado exclusivamente a partir das obras que eu trabalharia enquanto Professor de Literatura. Inclusive, nos estágios, dei uma aula sobre o poema “Súplica”, da moçambicana Noémia de Sousa e sobre a obra Blimundo, da cabo-verdiana Vera Duarte.

Lembro-me de que, durante a minha apresentação no MIF, uma colega pontuou que seria pouco viável para os professores trabalharem essas obras em sala de aula, uma vez que o acesso a elas é difícil e nem as escolas nem os alunos têm recursos para adquiri-las. Reforço, portanto, que a ideia foi produzir um material que guiasse quem tem interesse em trabalhar com as literaturas africanas, mas não sabe por onde começar. A seleção do material não significa que os professores devam trabalhar com todos esses títulos, mas que tenham conhecimento de diferentes possibilidades para, a partir delas, fazer suas próprias escolhas.

Espero que gostem do material. Até o próximo post.

REFERÊNCIAS

BANORI, Eliseu. A história que minha mãe não me contou: e outras histórias da Guiné-Bissau. Belo Horizonte: Nandyala, 2020. 34 p.

BANORI, Eliseu. Cantar do galo. Rio de Janeiro: Revista África e Africanidades, 2024. 124 p.

BEJA, Olinda. Chá do Príncipe. Rio de Janeiro: Ímã Editorial, 2021. 194 p.

CHIZIANE, Paulina. As andorinhas. Belo Horizonte: Nandyala, 2013. 96 p.

CHIZIANE, Paulina. Balada de amor de ao vento. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. 176 p.

COUTO, Mia. A menina sem palavra.São Paulo: Boa Companhia, 2013. 160 p.

DUARTE, Vera. A candidata. Belo Horizonte: Nandyala, 2012. 92 p.

DUARTE, Vera. Amanhã Amadrugada. Belo Horizonte: Nandyala, 2023. 88 p.

DUARTE, Vera. BLIMUNDO o boi que mexeu com o universo. Belo Horizonte: Nandyala, 2024. 36 p.

HONWANA, Luís Bernardo. Nós matamos o Cão Tinhoso. São Paulo: Kapulana, 2017. 148 p.

LIMA, Conceição. A Dolorosa Raiz De Micondó. São Paulo: Geração Editorial, 2012. 80 p.

LIMA, Conceição. O País de Akendenguê. São Paulo: Corsário-satã, 2023. 80 p.

LIMA, Conceição. Quando florirem salambás no tecto do pico. Belo Horizonte: Mazza, 2021. 84 p.

Mabata Bata. Memoriale Cinema Português. Disponível em:  https://cinemaportuguesmemoriale.pt/Filmes/id/2275/t/mabata-bata#:~:text=Aqui%20est%C3%A3o%20algumas%20informa%C3%A7%C3%B5es%20sobre%20a%20ficha,15%C2%BA%20Festival%20IndieLisboa%2C%20em%20S.%20Jorge%2C%20Lisboa. Acesso em: 31 jan. 2026.

ONDJAKI. Bom dia, camaradas. São Paulo: Companhia das Letras, 2014. 136 p.

ONDJAKI. Os da minha rua. 2. Ed. Rio de Janeiro: Pallas, 2021. 128 p.

SALUSTIO, Dina. Mornas eram as noites. Belo Horizonte: Nandyala, 2019. 96 p.

Sarah Maldoror. CINAFRICA. Rio de Janeiro: JR. Disponível em: https://cinafrica.letras.ufrj.br/index.php/filmes/angola/128-sarah-maldoror Acesso em: 31 jan. 2026.

SEMEDO, Odete. No fundo do canto. Belo Horizonte: Nandyala, 2018. 264 p.

SILA, Abdulai. A última tragédia. Rio de Janeiro: Pallas, 2012. 192 p.

SOUSA, Noémia de. Sangue Negro. São Paulo: Kapulana, 2016. 200 p.

TAVARES, Ana Paula. Um rio preso nas mãos: crônicas. São Paulo: Kapulana, 2019. 108 p.

TRINDADE, João. O Dia em Que Explodiu Mabata-Bata – Mia Couto – completo. YouTube, 3 fev. 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=OkZS-D5zh9U Acesso em: 31 jan. 2026.

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