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“A crítica não traz pão à mesa de ninguém”: entrevista com o professor, escritor e crítico literário Hélder Simbad

“Quando temos de falar, temos de ser meio políticos para podermos sobreviver nesta selva cultural, onde a política está muito entronizada dentro dos processos culturais, do ponto de vista até do domínio.”
Registro feito no dia da entrevista – Dalyson Oliveira

Há algum tempo, eu venho matutando a ideia de realizar entrevistas aqui para o blog, com o intuito de abrir um espaço para conversar sobre literatura e crítica literária com autores e pesquisadores das Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.

Neste meu último semestre no curso de Letras – Português, aqui na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), resolvi trabalhar com a crítica literária no contexto angolano, no meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), analisando três periódicos, quais sejam: Mayombe; Lavra & Oficina; e “Cultura”, do Jornal de Angola, entre 2020 e 2025.

Parte da minha pesquisa consistia em entrevistar1 alguns críticos angolanos com a intenção de compreender como eles percebem a crítica literária no contexto angolano e qual o lugar que ela ocupa na legitimação dessas obras. Com as entrevistas propostas no meu projeto de TCC, imaginei que seria possível chegar o mais próximo da concepção de “Crítica Literária” dentro de Angola.

As entrevistas foram feitas para o Eu sendo leitor, mediadas por mim e pelo meu orientador, o Prof. Dr. Bernardo Nascimento de Amorim – companheiro de longa data que está comigo desde o segundo período do curso, quando realizei a disciplina Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.

Helder Simbad: professor, escritor e crítico literário

Foto de Helder Simbad retirada do portal Litteragris

O primeiro entrevistado foi o professor, escritor e crítico literário Helder Simbad, pseudônimo literário de Helder Silvestre Simba André. Simbad é natural de Cabinda, Angola, e nasceu em 13 de agosto de 1987. Ele é Mestre em Ensino das Literaturas em Língua Portuguesa pelo Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), de Luanda; licenciado em Línguas e Administração pela Universidade Católica de Angola; frequentou o segundo ano do curso de Ciência Política da Universidade Agostinho Neto, em 2008. Simbad é investigador e coordenador do Círculo de Estudos Literários e Linguísticos Litteragris.

Realizamos a entrevista no dia 18 de maio de 2026, numa segunda-feira, pelo Google Meet. A entrevista foi bastante proveitosa, salve alguns problemas técnicos de conexão com a internet, o que já era de se esperar.

DO: Periódicos como Mayombe; Lavra & Oficina, da União dos Escritores Angolanos; e a seção “Cultura”, do Jornal de Angola, configuram um espaço para a crítica de obras literárias, em anos recentes. Como o senhor avalia a atuação desses veículos, no contexto do desenvolvimento do sistema literário angolano?

“E é preciso dizer que, em Angola, nós não temos uma crítica regular que se predisponha, por exemplo, semanalmente ou quinzenalmente ou, ainda, mensalmente, tratar das obras mais recentes.”

HS: Esses periódicos são de extrema importância. A Mayombe já deixou de existir, infelizmente. Enquanto existem, são de extrema importância. A Lavra & Oficina já não é publicada há um bom tempo, por conta de alguns problemas ligados às eleições da União dos Escritores Angolanos. A Mayombe também só teve duas edições. Enquanto existiram, movimentavam, digamos, a literatura angolana. Falava-se mais da literatura angolana, sobretudo, no plano digital, e não só. Levavam-se também essas discussões ao próprio Jornal de Angola, mas, infelizmente, por falta de apoio, eu, particularmente, não consegui manter a revista Mayombe. E a Lavra & Oficina, que também exige alguma organização por parte da União dos Escritores Angolanos, não existe. Sobra apenas o Jornal Cultura, que é o espaço onde jovens estudiosos e os mais velhos já consagrados vão publicando. Agora, o que se publica não é ainda massivamente aquilo que se tem produzido em relação às obras mais recentes. Não há, digamos, consistência em prol disso.

Os escritores vão dividindo, os críticos, aliás, vão dividindo as suas atuações, trazendo obras de autores consagrados que, muitas vezes, acabam dando mais prestígio a esses críticos do que trazer autores [desconhecidos ou mais novos] – aqui, uma simbiose intergeracional entre os escritores consagrados. E é preciso dizer que, em Angola, nós não temos uma crítica regular que se predisponha, por exemplo, semanalmente ou quinzenalmente ou, ainda, mensalmente, tratar das obras mais recentes. A Mayombe tinha este objetivo, e a Mayombe apostou, de alguma forma, na publicação destas obras. Mas o que a gente vê no jornal é um lugar, digamos, de status. Você quer aparecer em grande e, geralmente, as opções para os jovens… – e eu acredito que também o jovem crítico tem consciência que se estiver apenas a produzir para a sua geração, vai perder espaço.

Nós temos, atualmente, um único periódico que é o Jornal “Cultura”.  É um jornal, digamos, generalístico. Se, por exemplo, numa edição os três jovens críticos ou em várias edições consistentemente forem apenas falar de autores novos, eu acredito que vai existir algum mecanismo de, por exemplo, desta vez, este não entra, entra outro, porque o Jornal “Cultura” não é um jornal de crítica literária, é um jornal das artes. Então, aquilo que é considerado a alta cultura, a alta literatura, deve vigorar no jornal. É um espaço de alguma restrição desse ponto de vista. Já nós, na Mayombe, não tínhamos estes critérios, nós misturávamos.

“[…] o Jornal “Cultura” não é um jornal de crítica literária, é um jornal das artes. Então, aquilo que é considerado a alta cultura deve vigorar no jornal. É um espaço de alguma restrição desse ponto de vista.” 

A Mayombe, sobretudo na primeira edição, entrou também nesta dinâmica dos conflitos intergeracionais.  Nós usamos a crítica para afirmar a nossa geração e aquilo gerou, no plano simbólico, político e social, algumas disputas, algumas fricções, por exemplo, entre o meu movimento, que é o Círculo de Estudos Literários e Linguísticos Litteragris, e alguns membros da União dos Escritores Angolanos. Isto é ciência e eu tenho de dizer a verdade: nós tivemos problemas com a União dos Escritores Angolanos, com algumas pessoas ligadas à União dos Escritores Angolanos e mais pessoas que tinham poder.

Nós realizávamos lá eventos, deixamos por um tempo de realizar. Voltamos. Estamos todos mais adultos, lemos melhor. Quando temos de falar, temos de ser meio políticos para podermos sobreviver nesta selva cultural, onde a política está muito entronizada dentro dos processos culturais, do ponto de vista até do domínio.

DO: E quais estratégias poderiam garantir a continuidade e o impacto para o desenvolvimento desses periódicos, como a Mayombe e a Lavra & Oficina

Nós entendíamos assim: uma geração se afirma, muitas vezes, em contradição com a outra.

Eu sou membro da União dos Escritores Angolanos. Atualmente, nós estamos a viver um conflito pós-eleitoral. O Secretário-geral eleito não pode tomar posse, porque as outras listas interpuseram um recurso, uma providência cautelar e já passou um ano que estamos sem direção.  Em relação à Lavra & Oficina, que pertence à União dos Escritores Angolanos, só nos resta esperar a próxima direção que ainda não tomou posse.

Atualmente, eu mesmo vou coordenando as atividades, usando o Litteragris para ocupar algum espaço vazio enquanto este problema decorre e os mais velhos também. Aqueles conflitos resultantes da Mayombe, sobretudo, e de um outro artigo que eu publiquei no Jornal “Cultura”, em que eu questionava – anteriormente houve esse artigo – a angolanidade literária do crítico Luís Kandjimbo que, do meu ponto de vista, assume uma dimensão racial. Ele exclui determinados escritores e o modo que eu olho era mais pelo tom de pele do que a própria obra em si. Depois, eu escrevi um texto “Os Troncos onde os kandengues não se querem magoelar”. Infelizmente, o site deixou de existir.  Esses são os antecedentes dos problemas com a revista Mayombe.  Essas duas situações.

“Os Troncos onde os kandengues não se querem magoelar” era uma coleção de obras literárias levada a cabo pela editora Acácias.  O que é que aconteceu? Eu fui notando que por ser uma editora jovem, os mais velhos não entregavam os melhores livros e essa coleção era uma espécie de continuidade dos 11 clássicos da literatura angolana.  Então, faltava consistência técnica, compositiva nas obras. Faltou levar a sério o projeto. Então, eu escrevi este artigo que gerou um enorme conflito e quando veio a revista Mayombe, só piorou.

E, sejamos honestos, nós também aproveitamos usar. Queríamos, sim, dinamizar a crítica literária, mas também usamos a Mayombe com o objetivo de afirmação literária. Nós entendíamos assim: uma geração se afirma, muitas vezes, em contradição com a outra. Esse é o contexto de criação da Mayombe: dois artigos anteriores produzidos por mim, mas a primeira edição provocou, digamos, um mal-estar, mas muita conversa na literatura angolana. Agora, já na segunda edição, já estávamos a frear e a trazer crítica no verdadeiro sentido da palavra.

Eu comparo, por exemplo, Agostinho Neto e Jonas Savimbi, nessa edição.  Se procurar artigos relacionados com estes dois autores, em termos de perspectiva comparativa, já existe, porque o aspecto político domina até o saber científico e nós fomos lutando contra essa ideia. Recebemos alguns telefonemas e tudo, a falar: “O que é que você quer?” Mas eu entendi que as pessoas que ligavam a ameaçar nem sequer liam. Então, a Mayombe deixou de existir, infelizmente. Está a surgir uma outra, vamos lançar em julho, que se chama MuswaluMuswalu é significa peneira.

Eu olhei para a perspectiva da crítica em grego krínein, que é peneirar, e decidi trazer essa palavra numa das nossas línguas nacionais, que é o quimbundo. A revista vai se chamar Muswalu. A Mayombe não vai ter continuidade, porque depois, tive, digamos, alguns conflitos. Como eu é que cuidava, já estavam a me cobrar computador, até uma espécie de salário, e eu não tinha condições para isso, porque não tenho apoios, não tive apoios para produzir esta revista. E eu disse: vou extinguir.  Vou extinguir, porque a Mayombe não estava ligada ao Litteragris. [O litteragris] É um projeto meu que depois chamei outras pessoas e avançamos. Mas essa revista Muswalu, que é peneira, já está ligada ao Litteragris, e aí teremos menos problemas e poderemos ter mais edições do que a revista Mayombe.

DO: As universidades costumam assumir um papel fundamental na consolidação de uma crítica literária “audaz e regular”. Como as universidades angolanas atuam nesse espaço da crítica da Literatura Angolana?

“É mais fácil, por conta do status, criar-se protocolos e eventos científicos com universidades brasileiras – isso tem acontecido.”

HS: O capítulo da extensão universitária é muito frágil. Está a procurar melhorar agora, por conta da expansão que o INAAREES2, que é o Instituto de Acreditação do Ensino Superior em Angola, está a fazer. Somos mais nós a procurar protocolos com essas universidades. Levamos alguns eventos.  Lembro-me de ter levado Filosofia da Literatura e Literatura da Filosofia. Na verdade, queríamos falar sobre Literatura e Filosofia. E outros eventos que nós fomos organizando.  E as universidades dificilmente saem. Hoje, por acaso, eu recebi o convite de um professor que quer levar os estudantes à União dos Escritores Angolanos para fazer uma atividade, mas isto é muito raro.

Eu estou há alguns anos já, mais de 10, acho que vai ser a segunda vez que isto acontece, só para vermos.  E a Faculdade de Letras, por exemplo, está muito próxima da União dos Escritores Angolanos.  As instituições são muito fechadas. Não sei se é por conta do aspecto ideológico ou não entender os lugares em que estão.  Fica um pouco difícil perceber efetivamente o que é que acontece. Agora, em relação às revistas, as revistas também começam a sair agora. Eu não me lembro, por exemplo, da revista da Faculdade de Humanidades.  Não creio que haja, nesse instante, uma revista.  Na universidade onde eu trabalho, a Universidade Jean Piaget, nós tratávamos de uma revista, uma única edição, Voz enunciadora, também de crítica, mas este ano não senti apoio por parte da direção, então, tirei as minhas mãos. Eu não posso trabalhar gratuitamente para uma universidade, prefiro fazer uma Mayombe e etc. Estamos a começar.

É mais fácil, por conta do status, criar-se protocolos e eventos científicos com universidades brasileiras – isso tem acontecido.  Eu vejo a UNILAB e a Universidade de Santa Catarina, acredito, com ligações com Faculdades de Letras aqui em Angola, mas o impacto real da crítica literária universitária não se sente. Não se sente, porque também as monografias, dissertações, teses são fechadas nas bibliotecasAs universidades não têm repositório, onde nós podemos encontrar os estudos que os alunos desenvolvem, mas também isso pode ter a ver com a fragilidade de muitas dessas pesquisas. Falta alguma seriedade em alguns casos e, se calhar, teríamos duas, três, anualmente, pesquisas de qualidade. Não estamos organizados.  Sendo honesto, desse ponto de vista, as nossas universidades não estão organizadas. A crítica acadêmica fecha-se lá dentro, não sai.

Os eventos científicos estão mais voltados para o Brasil, nessa ligação online com o Brasil, mas, enquanto líder do Círculo de Estudos Literários e Linguísticos Litteragris, eu faço o esforço de tirar esses acadêmicos das suas respectivas universidades e levá-los à União dos Escritores Angolanos.  Isso aqui temos conseguido. Vamos realizar de 29 de julho a 1 de agosto a terceira edição do Simpósio Nacional de Crítica Literária, e vamos trazer novamente vários professores dos ISCED, da Faculdade de Humanidades, fundamentalmente, de outras províncias de Angola. O Simpósio Nacional de Crítica Literária é o maior evento de crítica literária que a gente tem aqui.  É realizado pelo Círculo de Estudos Literários e Linguísticos Litteragris e pela União dos Escritores Angolanos que, na verdade, está mais no plano do apoio institucional.  É o lugar onde todos acadêmicos, críticos de jornais marcam o encontro.

DO: Não existe um programa de criação de algum repositório nas universidades para que os estudantes coloquem as suas produções, como dissertações, monografias, etc?

“Em termos de economia acadêmica digital, Angola está numa fase que eu posso dizer pré-embrionária.”

HS: Dalyson, não existe.  E se começar a existir, vai ser agora por conta das exigências do INAAREES. Eu sou Mestre em Ensino das Literaturas em Língua Portuguesa pelo ISCED de Luanda e participei dessa última extensão que o INAAREES fez e tocamos no assunto, da falta de um repositório para depósito digital dos materiais que são produzidos na universidade.  Provavelmente, com as recomendações do ISCED, seremos capazes de ter algumas exigências.  No plano digital, nós não estamos bem, infelizmente.

O nosso ISBN vem de Portugal. Vem de Portugal ou do Brasil. Não, mas é Portugal, o nosso ISBN vem de Portugal.  Em termos de economia acadêmica digital, Angola está numa fase que eu posso dizer pré-embrionária. (risos). Infelizmente. Infelizmente. 

BA: Os críticos que escrevem, por exemplo, nos dois números da Mayombe e, agora, que vão escrever na Muswalu, eles têm formação universitária? A maior parte deles, uma parte, são estudantes de Letras ou pessoas formadas em Letras ou em outros cursos? Ou eles não têm formação? Como é que é o perfil do crítico da Mayombe, por exemplo, e que vai ser também na Muswalu?

“A crítica literária começa, efetivamente, com essa geração que estou aqui a dizer: Geração Litteragris.”

Eu tento falar do perfil do crítico literário em Angola de um modo geral. Está misturado. Temos estudantes de letras, temos até juristas, porque a minha organização dá uma formação de teoria da literatura e crítica literária, anualmente, e grande parte dos que produzem crítica literária passaram por essa escola.  Nesse instante, está a decorrer aquilo que nós designamos a EIFAL – Escola Itinerante de Filosofia das Artes e das Linguagens.  Eu levei para a Universidade Jean Piaget esse projeto, pedi para eles tratarem dos certificados e nós estamos a tratar do plano formativo e, assim, tem sucedido.

Grande parte dos críticos, ou seja, eu posso afirmar que a crítica literária na nossa geração começa com o Litteragris.  Começa com essas formações do Litteragris. Havia uma timidez em relação às faculdades de humanidades e esses estudantes das humanidades que hoje fazem crítica literária também passaram por essa formação. Então, há aí alguma coisa que tem acontecido no plano curricular dentro dessas faculdades de letras, porque, como tal, têm dificuldade em produzir críticos literários. A crítica literária começa, efetivamente, com essa geração que estou aqui a dizer: Geração Litteragris. Não falo da crítica nesta geração. Já havia crítica literária em Angola, mas a Faculdade de Humanidades ainda não deve ter 20 anos.

Até antes da existência do Litteragris não se falava muito de crítica na nossa geração. Os autores eram os da Geração de 80 e essa virada começa com o Litteragris.  Então, o perfil é essa formação que a gente dá, autodidatismo e, algumas vezes, estudantes que saem das universidades.

No meu caso, eu fiz línguas e administração. O perfil de saída não era para ser como tal crítico literário. O autodidatismo é que me foi forjando e, depois, fomos forjando os outros para o mesmo exercício. Então, nós temos juristas, temos, por exemplo, na Mayombe, o Agostinho Gonçalves, que é o editor-adjunto. Ele é formado em línguas e literatura francesa.

Eu, naquela altura, era formado em Línguas e Administração, depois, acabei entrando no ISCED. Há alguns estrangeiros que o Agostinho foi buscarO Destino é formado em Relações Internacionais, mas dá aula de literatura. Dá aulas de literatura, porque esforçou-se.  Nós não temos problemas em colocá-lo a dar essa formação. Acho que são os principais nomes que estão na revista Mayombe da segunda edição.  Então, há essa miscelânea. O amor pela literatura é que liga.

DO: Fazendo a crítica da crítica, José Luís Mendonça afirma, em entrevista à revista Poesia Sempre, em 2006, o seguinte: “Os críticos brasileiros aplaudem tudo o que se produz aqui [no continente africano] e lhes chega às mãos. Ora, o próprio poeta, o escritor em geral, também precisa que se lhe diga em que aspectos pode melhorar a sua obra, não se pode criticar sem criticar” (Mendonça, 2006, p. 20). Ainda na mesma entrevista, o autor afirma que, no contexto de Angola, a questão da crítica literária é mais complexa. Diz ele: “Angola é um país onde ainda não existe uma crítica literária audaz e regular” (Mendonça, 2006, p. 20). E continua: “O poeta Ruy Duarte diz mesmo que não há crítica literária em Angola e isso não permite separar o trigo do joio”. Nesse sentido, gostaria de saber: A crítica ajuda a “separar o trigo do joio”, como se afirmou? Nos últimos 20 anos, a crítica literária se desenvolveu?

“O próprio Lopito Feijó afirmou isso: “Nunca houve tanta crítica literária em Angola como agora”.”

Sim, a crítica ajuda a separar o trigo do joio. Eu escrevi um livro, Fundo e Forma, e, neste livro, também falo sobre essa nova modalidade, o spoken word. Quando chegou em Angola, as pessoas começaram a confundir poesia convencional e spoken word, que é uma arte performativa. Assim como texto dramático, o objetivo é levar ao palco. E algumas pessoas começaram a produzir spoken word, a publicarem em livro, acreditando que é poesia convencional. Nós nos levantamos. As pessoas começaram a ter mais receio de publicar livros e, hoje, com mais maturidade, todo mundo entendeu que aquilo não era um exercício de poesia, como muita gente dizia. Até alguns autores de spoken word recuperaram as críticas que fazíamos no passado que, algumas vezes, não eram elegantes, chamávamos de “lixeratura”, por exemplo. Já usamos expressões bem pesadas aqui e isso levantava alguma tensão entre o meu Movimento e o Movimento Lev’Arte, que estava mais voltado para essa dinâmica do palco. Mas nós fizemos esse exercício de separação do trigo e do joio e a maior parte dessas obras morreram mesmo, não conseguiram ascender. A crítica ascendeu, melhorou muito.

“Até alguns autores de spoken word recuperaram as críticas que fazíamos no passado que, algumas vezes, não eram elegantes, chamávamos de “lixeratura”, por exemplo”

O próprio Lopito Feijó afirmou isso: “Nunca houve tanta crítica literária em Angola como agora”. Nunca houve tanta crítica literária em Angola como agora. Nós estávamos a publicar livros. Eu publiquei o Figurações do Insólito na Prosa Angolana e publiquei, depois, Fundo e forma

E o Destino Ventura publicou a Introdução à Anatomia de Mestre Tamoda. São todos do meu movimento e são estudos de crítica literária. Quando eu volto para o passado, eu vejo alguns ensaios do Lopito Feijó, alguns ensaios do Luís Kandjimbo, mas, sobretudo, na década de 1980. Da década de 1990 até 2010, houve alguma fragilidade, inconsistência na crítica literária, por isso, autores longevos, como Ruy Duarte Carvalho, vão dizer que não há crítica literária como tal. Mas, a partir de 2015, é o que eu estou a dizer, com o surgimento do Litteragris, com as formações que nós fomos ministrando, a dinâmica da crítica mudou. Há muita crítica. Não há espaço de publicação. Não há espaço de publicação.

Só temos um jornal e o jornal é generalista, é de artes. Se tivermos quatro autores da literatura, quatro estudiosos, já é muito. Não tem espaço para as outras artes. Por isso que, na verdade, voltei a criar a Muswalu.

Quando eu vi que o Bernardo deu o e-mail, fiquei muito contente. Eu disse: afinal de contas, algumas pessoas olharam. Afinal de contas, valeu a pena. E quando eu comecei a entrar nos sites e ver a Mayombe com várias visualizações em outros sites, lá no Google, disse que não tinha essa consciência. Então, eu agradeço ao Dalyson e ao Bernardo que acabaram me incentivando a dar continuidade a este trabalho. Nós queríamos fazer uma revista no ano passado, mas quando a cabeça fica frustrada, as faltas de apoio, a gente desiste. Por isso é que nós, angolanos, estamos sempre muito voltados ao Brasil, porque alguma solução, algum reconhecimento acaba vindo de vocês. O meu muito obrigado!

DO: Na sua prática pessoal, quando o senhor escreve uma crítica sobre uma obra angolana, quais são os elementos que prioriza: análise formal, enquadramento histórico, dimensão estética, função social da obra, inserção no cânone…?

“Olhamos fortemente para isso, porque a sociedade, digamos, é a crítica. A sociedade não consegue se ler com os princípios da ciência nem com a própria literatura.”

Depende muito. No princípio da minha jornada e da jornada – porque eu sou o líder da jornada do próprio Litteragris – a crítica era ideológica. Nós queríamos nos afirmar, batíamos em contemporâneos nossos, usávamos a crítica como instrumento de afirmação e batíamos em alguns mais velhos. Então, a crítica foi uma estratégia de afirmação do nosso movimento. Agora, a gente já não bate como batia nos mais velhos, estamos mais ponderados e etc. Então, essa primeira fase é ideológica mesmo, é uma crítica de afirmação. Nós não tínhamos universidade e nós não olhávamos para a universidade como uma esperança para o exercício de crítica literária, porque nós não sentíamos a força deles aqui fora. Então, nós começamos a estudar obras de filosofia. Noël Carroll escreveu Filosofia da Arte e etc… Não entendíamos de metodologia.

Alguns textos meus publicados no princípio têm erros muito claros de metodologia. Nós começamos a olhar a literatura a partir da filosofia, começamos com a Filosofia da Arte. Depois, apareceu um senhor chamado Jesús G. Maestro; ele escreveu Crítica de la Razón Literária: o materialismo filosófico como teoria, crítica, dialética e ciência da literatura. Este passou a ser o nosso método de uma forma quase geral. Nem todos conseguem dominar, porque é um tratado filosófico, é um método que exige domínio desses conceitos de fundo e forma, de filosofia e etc. Essa obra acabou moldando a nossa forma. Ele fala de crítica dialética que é, na verdade, o estabelecimento de uma relação entre o que se diz na obra e a sociedade, sem descurar os aspectos formais, porque a literatura envolve tudo isto. Nós lá falamos que não há oposição entre matéria e forma e tudo isto que converge para o que nós chamamos de material literário deve ser explicado na crítica.

Então, olhamos para todos esses pressupostos que o Dalyson acabou por apresentar. A dimensão estética, sociocultural, sobretudo, a sociocultural. Olhamos fortemente para isso, porque a sociedade, digamos, é a crítica. A sociedade não consegue se ler com os princípios da ciência nem com a própria literatura. Então, nós fazemos um exercício de desmistificação, de dizer que aquilo que os autores objetivam nas suas obras se relacionam com esse segmento da sociedade, com aquele segmento da sociedade. Tem uma dimensão, digamos, política também, a crítica que a gente exercita

DO: Quais são os autores mais recorrentes nas análises críticas recentes? Por que são esses, e não outros, os escolhidos da crítica angolana?

Olha… Os autores mais recorrentes… João Tala, eu acho que é o mais recorrente, atualmente, porque é um autor que foi esquecido, e nós acabamos… E ele justifica isso em algumas entrevistas, trazendo a vida. Ele tinha publicado um livro, Surreambulando, em 2005. O livro não era conhecido até eu estudá-lo e o livro depois acabou por esgotar. Depois, começou um exercício de amor em relações estudiosas. A Edmira tem um livro sobre ele. Quase todo mundo já escreveu sobre João Tala, atualmente, então, eu acredito que é o mais estudado, mas, vamos lá: Pepetela, Boaventura Cardoso… essa geração continua sendo a mais estudada; depois que vem o João Tala, conforme disse. Os jovens… Quem é que tem sido mais estudado? O Dias Neto, mais um ou outro autor que tem sido levado a estudo… E o Agualusa perdeu um pouco de espaço nesse sentido. O autor que mais ganhou espaço é o João Tala.

BN:  Na sua listagem, eu senti falta de alguns nomes, e aí isso me faz pensar na diferença entre a crítica angolana – aquilo que é feito em Angola, lido e valorizado em Angola -, e aquilo que é feito por angolanos não necessariamente em Angola, e lido e valorizado fora de Angola. Então, por exemplo, Paula Tavares.

“Paula Tavares é, inequivocamente, a maior referência da literatura feminina produzida por mulheres angolanas.”

Há estudos sobre Paula Tavares. A Paula Tavares pode entrar nessa lista; Ondjaki pode entrar nesta lista; Manuel Rui Monteiro também… Zetho Cunha Gonçalves é muito estudado lá fora, mais lá, aqui não é muito estudado. Por quê? Porque as obras também não são tão conhecidas assim. Ele venceu um DST/Camões, mas aqui a gente fala de Zetho Cunhas e etc, mas ele não tem o peso aqui dentro, não tem o peso que tem lá fora. Alguns consideram, por exemplo, como o maior poeta de Angola. Eu acho que é um bom poeta, mas não é o maior poeta de Angola vivo.

Há muitos estudos, sim, sobre Paula Tavares. O nome só não vinha em mente. Agora, o Ondjaki, por exemplo, ele é muito bom, já foi mais valorizado do que agora. Perdeu espaço para o João Tala. Acho que aqueles que conseguem se manter lá no topo do estudo são: Pepetela; Boaventura Cardoso; Manoel Rui Monteiro; Agualusa perdeu um pouquinho de espaço; e Paula Tavares, porque nós temos problemas de referências femininas na literatura angolana, e a Paula Tavares é, inequivocamente, a maior referência da literatura feminina produzida por mulheres angolanas. Então, não tem como ela não ser alvo de crítica, quanto mais não seja por aqueles critérios dos dados, da estatística: X homens, X mulheres.

DO: Que caminhos o senhor considera fundamentais para o fortalecimento da crítica literária em Angola nos próximos anos?

“Então, estamos, assim, ainda a fazer as coisas no amor. Precisamos profissionalizar a crítica”

A crítica precisa libertar-se do aspecto político, mas precisa de políticas do Estado para sobreviver. Nós não temos bolsas. Essas revistas são exercícios individuais que, às vezes, nos deixa mais pobre. Nós conseguimos um apoio uma única vez para Tundavala por via da União dos Escritores Angolanos. Mas para a revista de crítica literária, por exemplo, nem para Muswalu… Não há apoio para essas coisas em Angola. Não há bolsa de investigação. As coisas estão muito fechadas no plano institucional. Eu não consigo, por exemplo, indexar a revista.

Então, estamos, assim, ainda a fazer as coisas no amor. Precisamos profissionalizar a crítica.

DO: Na Gazeta Lavra & Oficina (Edição nº 001, nov./dez. 2020), em entrevista concedida ao pesquisador João Maria, o escritor Boaventura Cardoso afirma que: “faz-nos muita falta a crítica literária e é importante que seja constituída em instituição” (Cardoso, 2020, p. 10). De modo semelhante, Michel Kanianga, na Edição nº 004 (maio/jun. 2021), ao discutir a produção do livro em Angola, aponta como ausências no mercado editorial “críticos literários assumidos e empenhados” (Kanianga, 2021, p. 19). O senhor concorda com essas perspectivas sobre a fragilidade da crítica literária em Angola? Na sua visão, até que ponto a ausência de uma crítica literária institucionalizada e de críticos literários mais atuantes interfere no desenvolvimento da literatura angolana.

“Agora, há crítica literária em Angola; há crítica literária em Angola, porque há livros a serem publicados, há jornais que trazem um ou outro texto. Não se pode dizer que não há crítica literária.”

Olha, às vezes, acho engraçados esses comentários. E a institucionalização é aquilo que desejamos, aí vai implicar estruturas por detrás da crítica literária, não existe, e está ainda desligada da universidade, por exemplo, aquilo que se faz aqui e fora, mas essas mesmas pessoas que pedem crítica literária, na verdade, estão à espera de estudos das suas obrasSe nós, por exemplo, olharmos para as suas obras e tratarmos aspectos menos bons, vamos ter problemas sérios, até problemas políticos. A sociedade angolana não está preparada, sobretudo, escritores pesados como o próprio Boaventura Cardoso, para receber uma crítica que não seja do seu agrado.

Eu posso afirmar isso com exatidão e eu tenho certeza disso, porque eu sofri perseguição, sofri perseguiçãoe eu sei que nós não estamos preparados para a verdadeira crítica literária que as pessoas querem. Então, podemos diminuir essas fragilidades, institucionalizando a arte, promovendo bolsas de estudos a apoiar organizações como Litteragris, que tem dado a vida para que exista a crítica literária em Angola. Agora, há crítica literária em Angola; há crítica literária em Angola, porque há livros a serem publicados, há jornais que trazem um ou outro texto. Não se pode dizer que não há crítica literária.  É, na verdade, uma forma de chamar a atenção dos críticos para produzirem as suas obras. É assim que eu vejo esta situação. De outro jeito, a crítica só não é regular. Eu também gostaria que fosse regular, mas, para ser regular, tinha de trazer pão à mesa. A crítica não traz pão à mesa de ninguém.

Em relação ao uso das revistas, eu queria só tocar nesse detalhe. O uso das revistas como espaço de emancipação geracional, a Lavra & Oficina, não me lembro qual é a edição, também fez uma edição atacando o Litteragris. Já não me lembro qual é essa edição. Houve uma edição, porque um dos nossos membros foi acusado de plágio, e como nós já tínhamos essas estrelas, houve aproveitamento, escreveu-se alguns textos, estão registrados aí numa dessas edições. Então, não foi só nós, o Litteragris, a fazer isso, os mais velhos também fizeram isso, por via da Lavra & Oficina. Houve uma edição que nós fomos mesmo chacinados, fomos chacinados, por conta desse plágio

BA: Eu queria perguntar sobre a Academia Angolana de Letras. Ela não foi mencionada em nenhum momento aqui. É uma instituição dos mais velhos, mas tem promovido, às quintas-feiras, regularmente, as suas conversas, e eu já participei de algumas. Vi muitos jovens lá; por exemplo, João Ngola Trindade, que eu conheci em Angola, estava sempre lá. Qual é o papel da Academia nesse cenário?

“A Academia é algo do qual a gente espera muito mais, mas o seu estado, também é o reflexo de como o governo angolano olha para a literatura, não tem o devido apoio a ele.”

Olha, a Academia é elite. Imagina que, eu não sei se João Ngola Trindade já falou pela Academia ou só se participa… Até agora, só se o João Ngola Trindade já tiver falado, teremos sido por aí quatro jovens a falar pela Academia Angolana de Letras: eu, duas vezes; a Cintia, uma vez; o João André, uma vez; e, provavelmente, o João Ngola Trindade. Não tenho certeza se participou, mas existem outros jovens que também falam de literatura e gostariam de participar destes eventos. A Academia é algo do qual a gente espera muito mais, mas o seu estado, também é o reflexo de como o governo angolano olha para a literatura, não tem o devido apoio a ele.

As suas obras, por exemplo, de estudos eu também tive a graça de participar, são publicadas em formato digital. A Academia tem dinheiro para imprimir estes livros. Agora, estão com um canal no YouTube, onde estão a publicar as comunicações. Mas é a elite, não está muito próximo de mim, mas os meus irmãos vão dizer diferente, e eu vou falar por aquilo que é a maioria. Eu não tenho, particularmente, reclamações em relação à Academia. Respeitam o meu trabalho, elogiam o meu trabalho e a prova disso é que me tiveram lá duas vezes. Mas em relação aos outros jovens, também querem oportunidade para se falar de literatura, até porque muitos temas da Academia não estão dados à literatura e os jovens têm o que falar.

BA: Helder, o seu texto que gerou essa polêmica com o Kandjimbo, a princípio, e depois com outros, sobre Angolanidade, ele foi publicado onde? 

“Eu estava a defender o Agualusa, que alguns queriam que não fosse escritor angolano. Eu acho que o Agualusa enriquece a literatura angolana. É muito bom escritor para ser afastado da literatura angolana por desentendimento com A ou B.”

No Jornal “Cultura”, na época do José Luís Mendonça, mas tem aqui um aspecto: o texto depois foi retirado do ar. O meu texto foi eliminado imediatamente. O do Luís Kandjimbo ficou lá, ele a ofender-me, a destratar-me, mas o meu texto foi retirado do ar. Não foi tratado com… Aquilo foi visto como um ataque da minha parte, e foi mesmo. Nós estávamos nessa disputa de afirmação. É o que eu confessei aqui: a nossa crítica tinha um substrato ideológico e eu precisava atacar. Enquanto líder, precisava atacar, e valeu; a estratégia funcionou. Fui ofendido, mas a estratégia funcionou.

Eu estava a defender o Agualusa, que alguns queriam que não fosse escritor angolano. Eu acho que o Agualusa enriquece a literatura angolana. É muito bom escritor para ser afastado da literatura angolana por desentendimento com A ou B.

BA: Agora, voltando um pouco àquela listagem de autores e à discussão sobre quais são os mais recentemente lidos, criticados e valorizados, têm alguns autores — corrija-me se eu estiver errado — que têm publicado fora de Angola. São angolanos, por exemplo, o João Melo, que não publica mais em Angola, não é? Publica em Portugal, e aí os livros são traduzidos; agora, temos livros traduzidos para o inglês. Esse é um fenômeno também de alguns escritores angolanos que pararam de publicar em Angola.

Sim, mas as obras acabam chegando sempre, mas os preços praticados por João Melo afastam-nos. Ele é um escritor de elite, ele é um escritor de elite. O último livro vendeu na União de Escritores Angolanos a 30 mil kwanzas. Nós não adquirimos, não temos peso financeiro para gastar 30 mil kwanzas num livro pequeno. Ele publica aqui, o problema é o preço desses livros.

DO: Eu senti falta da menção ao José Luís Mendonça, sempre considerado um grande poeta da literatura angolana. Publicou recentemente dois livros aqui no Brasil; publicou em Portugal também.

José Luís Mendonça é, digamos, um dos grandes mobilizadores do cenário cultural em Angola, mas ele não se assume como crítico literário como tal, mas é. Aliás, há pouco tempo, ele esteve numa disputa em relação ao Prêmio DST/Camões… ele se envolveu em várias trocas de ideias no jornal com muita gente. Ele é contundente. E essa discussão nem sequer ainda terminou. Uma universidade acabou por chamá-lo para fazer um evento de literatura para falar sobre o tema.

Ele acha que o indivíduo que venceu o Prêmio DST/Camões não tem qualidade. Algumas vezes ele levanta essa questão da crítica. Algumas vezes diz que há, outras vezes diz que não há. Então, ele se contradiz. Mas eu sei que quando ele diz que não há é mesmo para exigir que haja mais, porque ele sabe que há. Ele é meu amigo, é a pessoa que me apresentou na literatura. Mas, se tivermos de falar de crítica, é mais no plano jornalístico e, depois, no âmbito dessas discussões, o que é arte e o que não é arte, que ele tem tido com outros estudiosos.

É um material pesado do José Luís Mendonça. É um material bastante pesado. Temos também o António Quino que o respondeu. Nós estamos a recolher, por acaso, esses artigos do José Luís Mendonça para fazer parte dessa edição, da primeira edição da revista Muswalu, peneira.

É o último grande episódio da crítica literária em Angola.

  1. Entrevista feita por Dalyson dos Santos Oliveira e Bernardo Nascimento de Amorim ↩︎
  2. Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior ↩︎

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